Estávamos agora em Leningrado, chamada por alguns de a Veneza do Norte. Foi ali que o primeiro governo soviético (da palavra russa que significa “conselho”) estabeleceu sua sede. Nossa visita ao Palácio de Inverno fez-me lembrar de que foi ali que reinou o último czar. Foi para mim uma experiência emocionante estar no exato local em que ocorreram alguns dos mais importantes eventos da história russa. Bem diante de nossos olhos estava um dos mais famosos museus de arte do mundo, o Ermitage, onde se pode ver quadros famosos de Da Vinci, El Greco, Ticiano, Rubens, Velázquez, Van Dyck, Rembrandt e outros. Mas, imagine nosso desapontamento quando soubemos que o Ermitage não estava incluído no nosso roteiro.
O mesmo se deu com a Catedral de Kanzansky, na Avenida Nevsky, agora convertida no Museu da História da Religião e do Ateísmo. Após indagar, descobrimos que poderíamos tentar visitar este último por conta própria. Certo dia fomos lá e nos deparamos com uma grande multidão querendo entrar. De vez em quando a porta abria e só alguns eram admitidos. Tentamos decifrar o sistema, mas desistimos, e finalmente entramos após ligeira discussão com o porteiro. Quem era culpado?
Numa conversa recente com um funcionário do governo soviético sediado em Nova Iorque, descobri que, mesmo que a visita aos museus seja concorrida, em certos dias, basta o estrangeiro mostrar seu passaporte ao porteiro e será admitido sem ter de ficar na fila, e às vezes até de graça. Lamentavelmente, quando estive na Rússia eu não sabia disso, e paguei o preço de não estar preparado para minha viagem a um país diferente. Honestamente, agora não vejo opção a não ser culpar a mim mesmo, o turista.
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